Congresso começa nesta segunda-feira, 17 de agosto, no Distrito Anhembi, reunindo especialistas e empresas para discutir inteligência artificial, streaming, computação em nuvem, novas redes, segurança digital e as mudanças provocadas pela TV 3.0 no mercado audiovisual.
A transformação tecnológica da televisão, do streaming e da produção de conteúdo ganha um dos seus principais palcos no Brasil nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2026, com o início do SET Expo 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Promovido pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), o encontro reúne profissionais de mídia, tecnologia e entretenimento para quatro dias de discussões sobre as mudanças que estão redefinindo a produção, transmissão e distribuição de conteúdo audiovisual.
O 38º Congresso de Tecnologia e Negócios de Mídia e Entretenimento acontece entre 17 e 20 de agosto, enquanto a feira de produtos e serviços começa na terça-feira, dia 18, e segue até quinta-feira, 20. O evento é realizado no Centro de Convenções do Distrito Anhembi, na zona norte da capital paulista. (SET)
A edição de 2026 chega em um momento especialmente importante para o setor. Inteligência artificial generativa, computação em nuvem, automação, streaming, redes IP, segurança da informação e novas formas de distribuição estão alterando estruturas utilizadas durante décadas pela indústria audiovisual. Paralelamente, o Brasil avança nas discussões e na implementação da TV 3.0, ampliando a necessidade de integração entre radiodifusão tradicional e serviços conectados à internet.
Inteligência artificial ocupa espaço central
Um dos grandes protagonistas da programação deste ano é a inteligência artificial. O congresso inclui debates sobre o uso da tecnologia dentro de redações, produtoras e operações corporativas, passando por automação, criação de conteúdo, organização de acervos audiovisuais e segurança.
A programação oficial prevê, por exemplo, discussões sobre como organizações podem ampliar o uso da IA sem aumentar a exposição a riscos. A preocupação cresce conforme assistentes e agentes inteligentes passam a acessar sistemas internos, dados e ferramentas corporativas. Outros painéis mostram aplicações práticas da tecnologia na produção e distribuição de conteúdo. (SET)
Também estão previstas apresentações relacionadas à utilização de IA por grandes empresas brasileiras de comunicação. Entre os casos incluídos na programação estão iniciativas envolvendo organização e governança de dados de conteúdo, automação editorial e transformação de material originalmente produzido para televisão em produtos digitais capazes de alcançar outras plataformas. (SET)
O objetivo é mostrar que a inteligência artificial começa a ultrapassar a fase de experimentação. Para emissoras e produtoras, a discussão agora envolve como integrar essas ferramentas às operações existentes sem comprometer segurança, qualidade editorial e controle sobre os processos.
Criadores digitais também entram no centro da discussão
A transformação da mídia não acontece somente dentro das grandes emissoras. A economia dos criadores também ganhou espaço importante no SET Expo 2026.
A abertura do Congresso nesta segunda-feira inclui uma keynote dedicada justamente à transformação dos criadores em estruturas independentes de mídia. A discussão aborda como novas ferramentas reduziram barreiras para produção e distribuição audiovisual, permitindo que profissionais acumulem atividades de produção, construção de audiência, distribuição e monetização de conteúdo. (SET)
Na terça-feira, 18 de agosto, outra keynote prevista pela organização discutirá diretamente o futuro da criação de conteúdo com inteligência artificial, incluindo os efeitos da tecnologia sobre os processos criativos e sobre a quantidade crescente de material sintético distribuído nas plataformas digitais. (SET)
A presença desses assuntos mostra como as fronteiras tradicionais entre televisão, internet e redes sociais continuam diminuindo. Em vez de operar como mercados completamente separados, emissoras, plataformas digitais e criadores disputam cada vez mais a mesma audiência e precisam desenvolver estratégias multiplataforma.
TV 3.0 é outro destaque da edição
Além da inteligência artificial, a evolução da televisão brasileira ocupa posição estratégica no encontro. A TV 3.0, também chamada de DTV+, está entre os principais eixos técnicos da programação.
A tecnologia representa uma evolução do modelo de televisão digital e procura aproximar ainda mais o sinal tradicional de TV dos recursos oferecidos pela internet. A convergência entre broadcast e broadband está entre os assuntos destacados pela própria organização do SET Expo. (SET)
Na prática, essa integração abre espaço para experiências televisivas mais conectadas e para novas possibilidades de distribuição e monetização de conteúdo. Para emissoras, fabricantes e empresas de tecnologia, entretanto, a mudança também exige atualização de infraestrutura e adaptação dos processos de produção e transmissão.
Por isso, o evento não trata apenas da experiência do consumidor. Há discussões envolvendo equipamentos, padrões tecnológicos, conectividade, processamento, redes e infraestrutura necessária para sustentar a próxima geração da televisão.
Cloud, automação e redes transformam o broadcast
Outro eixo importante é a infraestrutura por trás da mídia. Durante o congresso, especialistas discutem como cloud computing, conectividade, automação e novas arquiteturas de engenharia estão modificando operações tradicionalmente dependentes de equipamentos instalados fisicamente dentro das emissoras. (SET)
O avanço das redes IP permite que diferentes etapas da produção audiovisual sejam executadas remotamente ou distribuídas entre infraestrutura local e serviços em nuvem. Isso pode aumentar a flexibilidade das operações, principalmente em transmissões ao vivo e coberturas realizadas em diferentes locais.
A programação também aborda tecnologias como 5G, 5G Broadcast e o futuro 6G, além de edge computing, observabilidade, análise de dados e automação operacional. (SET)
Essas tecnologias são especialmente relevantes porque o consumo de vídeo está cada vez mais fragmentado. Uma mesma produção pode precisar chegar simultaneamente à televisão aberta, serviços de streaming, aplicativos, sites e redes sociais, exigindo estruturas capazes de adaptar e distribuir o conteúdo rapidamente.
SET TV testa produção baseada em nuvem durante o próprio evento
O SET Expo também pretende utilizar o evento como demonstração prática dessas transformações. A SET TV, responsável pela cobertura audiovisual, adotará uma arquitetura baseada em nuvem durante a edição de 2026.
Segundo a organização, a operação integrará captação de imagens, produção ao vivo, participação remota, gravação, processamento com inteligência artificial e distribuição multiplataforma dentro de um fluxo de trabalho baseado em cloud. Estão previstas mais de 20 horas de programação ao vivo em diferentes plataformas. (SET)
A experiência funciona como uma demonstração concreta de como tecnologias discutidas nos painéis podem ser incorporadas às operações reais de produção audiovisual.
Feira começa nesta terça-feira
Embora o Congresso tenha começado nesta segunda-feira, a feira de produtos e serviços do SET Expo abre em 18 de agosto e permanece em funcionamento até o dia 20.
A área de exposição reúne fornecedores de equipamentos, softwares e serviços para televisão, rádio, streaming, produção audiovisual e infraestrutura tecnológica. A organização disponibilizou ainda um guia oficial com as empresas participantes da edição de 2026. (SET)
Segundo informações divulgadas pelo Distrito Anhembi, são mais de 150 expositores representando mais de 400 marcas nacionais e internacionais, tornando o espaço uma vitrine para equipamentos e soluções direcionadas ao setor audiovisual. (Distrito Anhembi)
Evento mostra nova fase da indústria audiovisual
A edição de 2026 do SET Expo evidencia uma mudança mais ampla no mercado de comunicação. A indústria audiovisual deixou de depender exclusivamente das tecnologias tradicionais de televisão e passou a operar dentro de um ecossistema que envolve internet, inteligência artificial, plataformas digitais, computação em nuvem, dispositivos móveis e redes de telecomunicações.
Para empresas do setor, o desafio não é simplesmente adotar uma nova ferramenta. É construir estruturas capazes de produzir uma vez e distribuir conteúdo em diferentes plataformas, enquanto sistemas automatizados ajudam na organização, edição, pesquisa e circulação desse material.
Nesse contexto, inteligência artificial, TV 3.0, streaming e infraestrutura em nuvem deixam de aparecer como tendências isoladas e passam a formar partes de uma mesma transformação tecnológica. É justamente essa convergência que coloca o SET Expo 2026 no centro das discussões sobre o futuro da mídia brasileira nesta semana.