Ministério da Saúde busca parcerias com China para acelerar rede nacional de hospitais digitais que vai integrar inteligência artificial, conectividade 5G e monitoramento em tempo real
O Ministério da Saúde intensificou, ao longo de 2026, a construção da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS, projeto que combina inteligência artificial, conectividade avançada e infraestrutura digital para transformar o atendimento em unidades públicas de saúde espalhadas por diferentes regiões do país. O ministro Alexandre Padilha participou recentemente de um simpósio dedicado a discutir hospitais inteligentes e o uso de inteligência artificial no cuidado ao paciente, reforçando que o Brasil está estruturando um mercado próprio de tecnologia em saúde, desenvolvido a partir das características do país e capaz de atender tanto a rede pública quanto a privada.
O que é o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente
O projeto mais ambicioso dessa estratégia é o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente, o ITMI, que será construído em São Paulo e vinculado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. A unidade será o primeiro hospital público inteligente do SUS voltado especificamente para urgência e emergência, servindo como modelo nacional de assistência totalmente digital. O financiamento do projeto veio de um contrato de R$ 1,7 bilhão firmado com o Novo Banco de Desenvolvimento, instituição financeira ligada ao grupo dos países do Brics, formalizado em cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta do banco, Dilma Rousseff.
Quando estiver em operação, prevista para 2027, o ITMI terá capacidade para atender cerca de 20 mil pacientes por ano, com 800 leitos distribuídos entre emergência, UTI e enfermaria, além de 25 salas cirúrgicas. Segundo o próprio ministro, tecnologias de triagem automatizada devem reduzir significativamente o tempo de espera em situações críticas: um procedimento que hoje leva entre 20 e 25 minutos para ser iniciado poderá ser concluído em cerca de dez minutos, permitindo atender mais pacientes ao longo do dia.
Uma rede de UTIs conectadas em todo o país
Além do hospital de referência em São Paulo, a estratégia do Ministério da Saúde inclui a implantação de 14 UTIs inteligentes, com foco em cardiologia e neurologia, distribuídas em hospitais de 13 estados nas cinco regiões do país, incluindo unidades em Manaus, Belém, Salvador, Recife, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, entre outras cidades. Essas UTIs vão funcionar de forma interligada, compartilhando dados clínicos em tempo real e permitindo que equipes médicas acompanhem sinais vitais, exames laboratoriais e a evolução de cada paciente de forma contínua, o que deve ajudar a reduzir riscos assistenciais e agilizar decisões clínicas em momentos críticos.
Entre as tecnologias já previstas para essa rede estão o agendamento de consultas baseado em inteligência artificial, para otimizar o uso de recursos hospitalares, além de sistemas de triagem automatizada orientados por IA, capazes de acelerar a resposta em situações de emergência sem substituir a avaliação clínica dos profissionais responsáveis por cada caso.
O papel do SAMU inteligente
Outra frente da estratégia é o projeto-piloto do SAMU Inteligente, que já começou a ser implementado em Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre. A proposta prevê a integração entre UTIs, ambulâncias e centrais de regulação por meio do compartilhamento de dados clínicos em tempo real, permitindo que sinais vitais dos pacientes sejam transmitidos antecipadamente durante o transporte até o hospital. Na prática, isso significa que a equipe médica que vai receber o paciente pode se preparar com antecedência, conhecendo previamente seu quadro clínico antes mesmo da chegada da ambulância, o que tende a qualificar a assistência pré-hospitalar e reduzir o tempo de resposta em emergências.
Ambulâncias equipadas com tecnologia 5G fazem parte central dessa proposta, permitindo o monitoramento contínuo de informações vitais dos pacientes durante o trajeto, algo que já vem sendo testado nas cidades-piloto e que deve ser expandido conforme o projeto avança para novas regiões do país.
Parcerias internacionais para acelerar a digitalização
Para viabilizar essa transformação, o Ministério da Saúde tem buscado ativamente parcerias tecnológicas com outros países, especialmente a China. Em missão internacional recente, o ministro Padilha visitou empresas como a Huawei, para discutir infraestrutura digital, sistemas de nuvem e conectividade voltados à saúde, além da China General Nuclear Power Group, com quem foram debatidas soluções energéticas capazes de garantir o funcionamento contínuo de unidades de saúde, incluindo microrredes elétricas e sistemas de segurança energética.
A comitiva brasileira também visitou o Shenzhen Nanshan People’s Hospital, unidade de referência internacional em hospitais inteligentes, que já utiliza inteligência artificial para apoio a diagnósticos e outras tecnologias avançadas de gestão hospitalar. Segundo o ministério, essas trocas de experiência têm potencial para apoiar diretamente a construção da rede brasileira de hospitais e serviços inteligentes, adaptando soluções já testadas internacionalmente à realidade do SUS.
Um mercado de tecnologia em saúde que começa a se estruturar
O avanço dessa rede pública de hospitais inteligentes ocorre em paralelo a um movimento mais amplo do setor privado brasileiro, que também vem ampliando o uso de inteligência artificial em diagnósticos por imagem, telerradiologia e automação de processos hospitalares. Levantamentos recentes do setor mostram que cerca de um terço das clínicas brasileiras já adota alguma solução de inteligência artificial em suas operações, enquanto boa parte das demais demonstra forte interesse em investir nessa direção nos próximos anos, um movimento que tende a se intensificar à medida que projetos como o ITMI e a rede de UTIs inteligentes avançam dentro do sistema público de saúde.
O que esperar para os próximos anos
Com previsão de operação plena a partir de 2027, a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS representa uma das apostas mais ambiciosas do governo federal para modernizar o atendimento público de saúde no Brasil. Caso os resultados das UTIs inteligentes já em funcionamento se confirmem em escala maior, a expectativa do Ministério da Saúde é de que o modelo sirva de referência não apenas para o restante do país, mas também para outros integrantes do bloco do Brics interessados em replicar a experiência brasileira de digitalização da saúde pública.
Fontes:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-ms/2026/agosto/ministro-da-saude-participa-de-simposio-sobre-hospitais-inteligentes-e-uso-da-inteligencia-artificial-no-cuidado
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-01/governo-federal-vai-construir-primeiro-hospital-inteligente-do-sus
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/marco/saude-busca-aliancas-tecnologicas-mundiais-para-impulsionar-os-primeiros-servicos-inteligentes-do-sus