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Aprenda com os grandes apagões: lições de gestão de crises que você não pode ignorar

Por Diego Velázquez 5 de agosto de 2026 5 Min de leitura
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Rolando Bonaccorsi
Rolando Bonaccorsi

Quando um sistema crítico para de funcionar, os primeiros minutos definem muito mais do que o tempo de recuperação técnica. Definem a confiança que clientes, parceiros e o próprio time depositam na liderança durante o caos. E conforme expressa Rolando Bonaccorsi, executivo com longa experiência em operações e delivery de tecnologia, uma crise bem conduzida ensina mais sobre maturidade organizacional do que meses de operação estável.

Contents
O que separa um incidente de uma crise?Comunicação como parte da engenhariaPost-mortems sem caça às bruxasLiderança sob pressão como competência treinável

Grandes incidentes globais de indisponibilidade, amplamente documentados nos últimos anos, revelaram um padrão incômodo: a falha técnica raramente é o maior problema. O maior problema costuma ser a falta de um plano claro de comunicação e decisão sob pressão, algo que nenhuma ferramenta de monitoramento resolve sozinha.

O que separa um incidente de uma crise?

Nem toda falha técnica se transforma em crise organizacional. Um erro isolado, contido rapidamente por uma equipe treinada, é um incidente comum na rotina de qualquer operação complexa. A crise surge quando a resposta é lenta, desorganizada ou quando a comunicação com stakeholders chega tarde demais, ampliando o dano reputacional muito além do impacto técnico original.

Frameworks consolidados de continuidade de negócios tratam essa distinção como ponto de partida para qualquer plano sério de disaster recovery. Definir com antecedência o que caracteriza cada nível de severidade e quem tem autoridade para declarar cada um deles evita que decisões importantes sejam tomadas de improviso no momento de maior pressão, quando o julgamento tende a ficar comprometido.

Comunicação como parte da engenharia

Empresas de alta maturidade operacional tratam a comunicação de crise como parte da arquitetura do sistema, não como tarefa posterior do departamento de marketing. Isso significa ter modelos de mensagem pré-aprovados, canais definidos para diferentes públicos e um responsável claro por atualizar status em intervalos regulares, mesmo quando ainda não há solução definitiva para comunicar.

Rolando Bonaccorsi expressa que a ausência de comunicação durante uma interrupção prolongada é percebida pelo mercado como demonstrativo de despreparo, além de independer da complexidade técnica verdadeira do problema. Sendo assim, as empresas que atualizam publicamente o progresso da investigação, ainda que sem detalhes técnicos completos, preservam parte significativa da confiança que seria perdida com ausência total de informação.

Post-mortems sem caça às bruxas

A cultura de análise pós-incidente, conhecida no setor como post-mortem sem culpabilização, tornou-se referência entre empresas de tecnologia de ponta justamente porque produz aprendizado real. Quando engenheiros temem punição por reportar erros, informações relevantes desaparecem do relatório final, e a mesma falha tende a se repetir meses depois sob outra roupagem.

Documentar a linha do tempo completa, incluindo decisões que pareciam corretas no momento, mas se mostraram equivocadas depois, é o que diferencia um relatório burocrático de um documento que efetivamente reduz risco futuro. Esse tipo de disciplina exige maturidade de liderança, porque implica reconhecer publicamente falhas de julgamento, inclusive as da própria gestão.

Liderança sob pressão como competência treinável

Existe a crença de que lidar bem com crises é um traço de personalidade. Na prática, é uma competência que se desenvolve com simulações regulares, os chamados exercícios de caos ou game days, em que equipes praticam a resposta a cenários extremos em ambiente controlado, antes que a situação real aconteça com clientes reais em jogo.

Para Rolando Bonaccorsi, as empresas que investem tempo executivo nesses exercícios recuperam esse investimento multiplicado no primeiro incidente real, porque decisões que antes exigiriam reuniões de emergência já estão ensaiadas e distribuídas entre os responsáveis certos. A frieza aparente de quem lidera bem uma crise normalmente é reflexo de preparação, não de talento natural.

O fio condutor entre um planejamento de severidade, comunicação estruturada, cultura de aprendizado e treino deliberado é que nenhum deles depende de tecnologia de ponta para existir. Depende de decisão executiva e de tempo dedicado antes que a crise aconteça, algo que orçamentos apertados frequentemente deixam de lado até que seja tarde demais.

No fim, a diferença entre empresas que saem fortalecidas de um incidente grave e empresas que carregam a cicatriz por anos raramente está na causa técnica da falha. Está na forma como a liderança se comportou nas primeiras horas, e é esse comportamento que se planeja, se pratica e se aperfeiçoa muito antes de qualquer luz vermelha. 

Tag:O que aconteceu com Rolando BonaccorsiQuem é Rolando BonaccorsiRolando BonaccorsiRolando Bonaccorsi Diretor de Operações da Vert AnalyticsTudo sobre Rolando Bonaccorsi
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