Novo processador premium utiliza tecnologia avançada da TSMC e aposta em IA executada diretamente no smartphone, mais desempenho e menor consumo de energia.
A MediaTek apresentou nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, o Dimensity 9600 Pro, seu novo processador para smartphones premium e o primeiro chip móvel da companhia produzido com o processo de fabricação de 2 nanômetros da TSMC. A estreia coloca a fabricante taiwanesa em uma nova etapa da disputa pelos celulares mais avançados do mercado, segmento no qual inteligência artificial, eficiência energética, câmeras computacionais e desempenho em jogos passaram a ocupar papel cada vez mais importante. Os primeiros smartphones equipados com o novo processador são esperados ainda neste trimestre. (MediaTek)
Um dos principais destaques está justamente na inteligência artificial executada diretamente no aparelho. O Dimensity 9600 Pro incorpora uma nova arquitetura com duas unidades de processamento neural e o chamado Agentic AI Engine. Segundo a MediaTek, a NPU 1090 oferece 51% mais desempenho na etapa de processamento inicial de prompts de grandes modelos de linguagem, além de melhorar a eficiência na geração de tokens. A proposta é permitir que tarefas mais sofisticadas sejam realizadas localmente, diminuindo em determinados casos a necessidade de enviar informações para servidores externos. (MediaTek)
A mudança para 2 nm também representa uma evolução importante na fabricação dos componentes. Quanto mais avançado o processo, maior é o potencial para combinar desempenho e eficiência dentro das limitações de espaço, temperatura e bateria de um smartphone. O novo Dimensity adota uma CPU com configuração de oito grandes núcleos, incluindo dois capazes de chegar a 4,55 GHz, enquanto a fabricante promete ganhos de até 17% em desempenho single-core e 15% em multi-core frente à geração anterior. Em consumo, a MediaTek anuncia redução de até 61% em determinadas cargas multi-core. (MediaTek)
O lançamento também aumenta a pressão competitiva sobre fabricantes de chips que disputam os smartphones mais caros. A MediaTek vem tentando ampliar sua participação justamente no segmento premium, no qual processadores sofisticados e recursos de IA permitem margens maiores. A companhia também apresentou o Dimensity 9600M, fabricado em 3 nm e destinado a uma faixa mais ampla de aparelhos topo de linha. Com essa dupla, a empresa pretende transformar a evolução da inteligência artificial móvel em um dos principais argumentos para ganhar espaço entre os celulares mais avançados. (Reuters)
O que muda com o Dimensity 9600 Pro de 2 nanômetros?
A adoção da tecnologia de 2 nm da TSMC é a principal mudança estrutural do Dimensity 9600 Pro. A geração representa um avanço sobre processos anteriores utilizados nos chips móveis e permite trabalhar com uma densidade maior de transistores e novas estruturas para equilibrar potência e consumo energético. Essa evolução é especialmente importante nos celulares porque o processador precisa executar tarefas cada vez mais pesadas sem comprometer excessivamente autonomia, temperatura e espessura do dispositivo. A própria MediaTek já vinha trabalhando com a TSMC no desenvolvimento da geração de 2 nm e havia anunciado em 2025 que preparava um SoC baseado nessa tecnologia para o fim de 2026. (MediaTek)
A arquitetura de CPU do novo chip utiliza uma configuração 2+3+3 All Big Core. São dois núcleos C2-Ultra com frequência de até 4,55 GHz, três C2-Pro de até 4,35 GHz e outros três C2-Pro operando em até 3,1 GHz. Segundo os testes divulgados pela fabricante, a mudança proporciona até 17% de ganho em desempenho de núcleo único e 15% em cargas multi-core em relação à geração anterior. Mais importante para aparelhos alimentados por bateria, a companhia afirma ter conseguido simultaneamente reduzir o consumo energético, incluindo uma queda de até 61% em determinadas cargas de trabalho multi-core. (MediaTek)
Memória e armazenamento também avançaram. O Dimensity 9600 Pro introduz suporte a LPDDR6 e UFS 5.0, tecnologias desenvolvidas para aumentar a velocidade com que o processador acessa dados e arquivos. O chip possui ainda uma estrutura ampliada de cache e um novo mecanismo de gerenciamento responsável por distribuir recursos de processamento, memória e energia entre diferentes tarefas. Na prática, essas melhorias podem ser percebidas em atividades como abrir aplicativos pesados, editar vídeos, alternar rapidamente entre programas e executar modelos de inteligência artificial no próprio dispositivo. (MediaTek)
Os gráficos receberam atenção semelhante. A nova GPU G2-Ultra NX promete até 27% mais desempenho máximo, redução de 24% no consumo de energia em pico e ray tracing até 18% mais rápido. O processador suporta jogos com taxas que podem chegar a 185 quadros por segundo em condições compatíveis, além de utilizar inteligência artificial em conjunto com a GPU para aprimorar a renderização. Esses números são fornecidos pela própria MediaTek e o desempenho real dependerá da implementação de cada fabricante, mas mostram que a disputa dos chips premium deixou de estar concentrada apenas em velocidade bruta de CPU: IA, gráficos, memória e eficiência energética passaram a fazer parte da mesma corrida tecnológica. (MediaTek)
Por que a inteligência artificial é o principal destaque do novo chip?
A inteligência artificial deixou de ser apenas um recurso de aplicativos instalados no celular e está se tornando parte da própria arquitetura dos smartphones. Nos primeiros anos da explosão da IA generativa, muitas ferramentas dependiam quase completamente da nuvem: o usuário enviava um comando pela internet, servidores equipados com aceleradores processavam a solicitação e a resposta retornava ao aparelho. Com processadores móveis mais potentes, fabricantes estão tentando deslocar uma parcela crescente desse trabalho para dentro do próprio smartphone, especialmente em tarefas relacionadas a texto, imagem, voz, tradução, organização de informações e assistentes pessoais.
O Dimensity 9600 Pro foi projetado especificamente para essa transição. A MediaTek informa que a NPU 1090 oferece 51% mais desempenho no chamado LLM prefill, etapa na qual o sistema processa o comando e o contexto fornecidos pelo usuário antes de um modelo começar a produzir sua resposta. A empresa também anuncia aumento de 55% na quantidade de tokens gerados por watt e suporte a aplicações locais envolvendo modelos com até 30 bilhões de parâmetros, dependendo da implementação. Uma segunda unidade neural, voltada para tarefas de IA contínuas, promete reduzir em 40% o consumo de energia. (MediaTek)
Essa capacidade abre espaço para os chamados agentes de IA. Em vez de apenas responder a uma pergunta, sistemas desse tipo podem interpretar informações disponíveis no dispositivo, compreender preferências e executar determinadas ações. A MediaTek cita possibilidades como análise inteligente de dados armazenados no próprio telefone, assistência proativa e respostas personalizadas. Parte do processamento local também pode oferecer vantagens de privacidade e latência em situações nas quais os dados não precisam sair constantemente do aparelho, embora a maneira como isso funcionará na prática dependa dos sistemas operacionais e dos aplicativos adotados pelas fabricantes. (MediaTek)
As câmeras são outro exemplo de como a IA começa a se integrar profundamente ao hardware. O Dimensity 9600 Pro combina seu processador de imagem Imagiq 1290 com a NPU para realizar fotografia computacional e processamento de vídeo. Entre os recursos anunciados estão captura de movimento assistida por IA a 60 fps, vídeo em câmera lenta 4K a 240 fps e processamento inteligente de tonalidades. Isso significa que a próxima geração de inteligência artificial móvel não estará limitada aos chatbots: ela poderá funcionar continuamente por trás de fotos, vídeos, jogos, assistentes e diferentes recursos do sistema operacional. (MediaTek)
Quando chegam os primeiros celulares com Dimensity 9600 Pro?
A MediaTek informou que os primeiros smartphones equipados com Dimensity 9600 Pro e Dimensity 9600M devem chegar ao mercado ainda neste trimestre de 2026. A companhia possui relações comerciais consolidadas com fabricantes chinesas como Xiaomi, Oppo e Vivo, embora a disponibilidade de cada processador varie conforme aparelho e região. A chegada dos primeiros modelos será especialmente importante porque permitirá comparar os números apresentados pela MediaTek com resultados reais de bateria, temperatura, inteligência artificial, câmeras e desempenho. (Reuters)
O Dimensity 9600M funcionará como uma segunda frente dessa estratégia. Enquanto o 9600 Pro utiliza o processo de 2 nm e ocupa o topo da família, o 9600M é produzido em 3 nm e pretende levar recursos premium para um conjunto mais amplo de smartphones. Essa diferenciação permite que a MediaTek negocie com fabricantes que precisam de diferentes níveis de preço e desempenho sem abandonar a nova geração de recursos relacionados a IA, fotografia e jogos. É uma estratégia importante em um momento no qual o aumento do custo dos componentes está pressionando os preços dos celulares mais sofisticados. (Reuters)
A disputa comercial também coloca a MediaTek diretamente contra a Qualcomm pelo mercado de aparelhos Android premium. A Reuters destaca que a companhia taiwanesa tenta ganhar espaço justamente na categoria em que smartphones mais caros e funções avançadas de IA podem oferecer margens melhores para os fabricantes de semicondutores. O valor de mercado da MediaTek chegou inclusive a superar o da rival americana anteriormente em 2026, sinalizando como investidores passaram a enxergar a empresa além de sua posição histórica em chips para celulares intermediários. (Reuters)
O Dimensity 9600 Pro também representa apenas uma parte de uma estratégia maior. A MediaTek está expandindo seus negócios de inteligência artificial para data centers e chips personalizados, e seu primeiro acelerador desenvolvido para um grande provedor americano de nuvem deve entrar em produção em massa no quarto trimestre deste ano. A empresa levantou ainda US$ 3,9 bilhões em títulos conversíveis em agosto, com participação de Nvidia e Alphabet. Assim, o chip de 2 nm não é somente uma atualização para smartphones: ele faz parte da tentativa da MediaTek de ocupar uma posição maior em uma indústria na qual IA está conectando celulares, computadores, data centers e infraestrutura de nuvem em uma mesma corrida por capacidade de processamento. (Reuters)
A estreia do Dimensity 9600 Pro mostra que a próxima disputa entre smartphones premium não será definida apenas pela velocidade dos processadores. Eficiência energética, capacidade de executar modelos de IA localmente, processamento de câmera e desempenho gráfico terão peso crescente na escolha dos aparelhos. Com sua primeira plataforma móvel de 2 nm e uma NPU preparada para cargas de IA mais sofisticadas, a MediaTek tenta se posicionar desde o início dessa nova geração — e os primeiros celulares equipados com o chip mostrarão se as promessas apresentadas no lançamento se traduzirão em diferenças perceptíveis para os consumidores.
Fontes:
MediaTek — anúncio oficial do Dimensity 9600 Pro
Reuters — MediaTek lança chip móvel com tecnologia avançada da TSMC