Finep e BNDES selecionam Monashees para avançar na estruturação de fundo destinado a empresas que tenham IA no centro de seus negócios.
O Brasil avançou na criação de um novo fundo de investimentos destinado especificamente a startups brasileiras que utilizam inteligência artificial como elemento central de seus modelos de negócio. A Finep e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram a seleção da Monashees Gestão de Investimentos para administrar o Fundo de Investimento em Participações de Inteligência Artificial, que possui estimativa de mobilizar até R$ 500 milhões. O anúncio foi publicado pela Finep em 14 de setembro de 2026. (Fale Conosco)
A escolha da gestora ocorreu depois de uma chamada pública que recebeu 17 propostas. A seleção, porém, ainda não significa que todo o capital de R$ 500 milhões esteja disponível para investimento imediato. A proposta apresentada pela Monashees seguirá agora para etapas de análise, diligência e estruturação antes da formalização definitiva do fundo. O desenho combina recursos públicos com a atração de investidores privados, criando um mecanismo destinado a ampliar a disponibilidade de capital para empresas nacionais de inteligência artificial. (Fale Conosco)
Pelo modelo divulgado, a BNDESPAR poderá comprometer até R$ 125 milhões, enquanto o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), por meio da Finep, poderá aportar até R$ 80 milhões. Isso representa até R$ 205 milhões provenientes dessas duas fontes. Como a participação de cada cotista-âncora será limitada a 25% do fundo, a estratégia é utilizar o capital público como instrumento para atrair outros investidores e chegar ao volume total estimado de até R$ 500 milhões. (Fale Conosco)
A iniciativa faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e pretende atacar um dos desafios enfrentados pelo ecossistema tecnológico nacional: transformar pesquisa e inovação em empresas capazes de crescer, faturar mais e disputar mercados internacionais. Diferentemente de programas voltados simplesmente à adoção de ferramentas prontas de IA, o fundo procura negócios nos quais inteligência artificial faça parte da própria tecnologia, produto ou vantagem competitiva da empresa. (Fale Conosco)
Quais startups poderão receber investimentos do fundo de IA?
O principal critério será a importância da inteligência artificial para o modelo de negócio da startup. A Finep afirma que serão procuradas empresas nas quais a IA esteja incorporada de maneira estruturante à proposta de valor, e não simplesmente utilizada como ferramenta acessória. Isso cria uma diferença importante entre uma companhia que apenas utiliza serviços comerciais de inteligência artificial para automatizar atividades internas e outra que desenvolve produtos, modelos, plataformas ou tecnologias cujo funcionamento depende diretamente de IA. (Fale Conosco)
Essas empresas normalmente precisam realizar investimentos mais elevados em infraestrutura tecnológica. Treinamento e adaptação de modelos podem exigir capacidade computacional, armazenamento de grandes volumes de dados, profissionais especializados e desenvolvimento contínuo de software. O edital considera justamente empresas cuja criação e operação de soluções de inteligência artificial demandem investimentos em dados, modelos, infraestrutura computacional e equipes especializadas, aumentando a possibilidade de que o capital seja direcionado para tecnologias desenvolvidas no próprio país. (Fale Conosco)
O documento da chamada pública também aponta setores considerados estratégicos. Entre eles aparecem cadeias agroindustriais; saúde; infraestrutura, saneamento, mobilidade e logística; transformação digital da indústria; bioeconomia, descarbonização e energia; além de cibersegurança e tecnologias relacionadas à soberania nacional. Isso significa que o fundo não deverá estar limitado a empresas que desenvolvem chatbots ou ferramentas de geração de conteúdo. A proposta é alcançar aplicações de IA capazes de resolver problemas industriais, científicos e econômicos mais amplos. (Finep)
Tecnologias emergentes também aparecem no desenho do programa. A chamada menciona tendências como agentes de inteligência artificial, robótica, sistemas autônomos e aplicações de IA integradas a sistemas físicos. Esses segmentos estão entre as áreas que mais exigem capital porque combinam software, modelos de inteligência artificial, infraestrutura computacional e, em alguns casos, hardware. A inclusão dessas tecnologias mostra que o fundo foi pensado para acompanhar a próxima fase da IA, na qual sistemas inteligentes começam a sair das interfaces de texto e passam a executar tarefas em ambientes digitais e físicos. (Finep)
Como serão divididos os R$ 500 milhões?
Os R$ 500 milhões representam uma estimativa de mobilização total, e não um desembolso imediato dos bancos públicos. O desenho apresentado prevê até R$ 125 milhões da BNDESPAR e até R$ 80 milhões do FNDCT/Finep. Somadas, essas duas fontes podem chegar a R$ 205 milhões. O restante deverá ser buscado junto a outros investidores interessados em participar do fundo, permitindo que os recursos públicos atuem como catalisadores para ampliar o capital disponível. (Fale Conosco)
Esse modelo procura criar um efeito multiplicador. Em vez de o poder público financiar sozinho todas as empresas selecionadas, os aportes iniciais ajudam a estruturar um veículo capaz de atrair capital privado. A limitação de 25% de participação para cada cotista-âncora faz parte dessa lógica, impedindo uma concentração excessiva do fundo em apenas uma fonte de recursos e incentivando a participação de novos investidores. (Fale Conosco)
Também é importante destacar que a seleção da Monashees não encerra o processo. A Finep informou que a proposta seguirá para análise, diligência e estruturação, etapas necessárias antes da operação definitiva do fundo. Portanto, não há neste momento uma lista fechada de startups que receberão dinheiro, nem um cronograma imediato de aportes individuais. Essa distinção é importante para evitar a interpretação de que R$ 500 milhões já começaram a ser distribuídos entre empresas brasileiras. (Fale Conosco)
A escolha da gestora após 17 propostas indica, entretanto, que o projeto entrou em uma fase mais concreta. A futura operação deverá envolver análise de empresas, avaliação tecnológica, potencial de crescimento e compatibilidade com a tese de investimento definida pelo programa. Como se trata de um Fundo de Investimento em Participações, a lógica é diferente de um financiamento tradicional: o veículo deverá investir em empresas selecionadas buscando acompanhar sua valorização e expansão.
Por que o Brasil quer ampliar os investimentos em startups de inteligência artificial?
Um dos objetivos declarados é aumentar o número, o faturamento e a presença global das startups brasileiras de IA. O desafio não está apenas em estimular novas empresas, mas permitir que negócios já existentes consigam crescer sem depender exclusivamente de capital estrangeiro ou transferir suas operações para outros mercados. Para uma startup de inteligência artificial, acesso a investimento pode ser particularmente importante porque custos com computação, contratação de especialistas e desenvolvimento tecnológico aparecem muito antes de a empresa atingir grande escala comercial. (Fale Conosco)
O edital estabelece ainda metas mais amplas para o ecossistema brasileiro. Entre os resultados esperados estão o crescimento das atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação realizadas no país, a criação de novos ambientes e hubs tecnológicos, o desenvolvimento de soluções avançadas e o fortalecimento da competitividade internacional das empresas brasileiras. O documento também menciona explicitamente o objetivo de aumentar a capacidade nacional de desenvolver modelos próprios de inteligência artificial. (Finep)
Essa questão ganhou importância à medida que inteligência artificial passou a exigir investimentos cada vez maiores. Modelos avançados dependem de chips, data centers, energia, grandes conjuntos de dados e profissionais altamente especializados. Países que não possuem empresas capazes de desenvolver parte dessas tecnologias correm o risco de se tornar principalmente consumidores de plataformas criadas no exterior. O fundo tenta atuar justamente no outro lado dessa equação, ajudando empresas brasileiras a construir propriedade intelectual e produtos próprios com possibilidade de competir internacionalmente.
O sucesso da iniciativa, entretanto, dependerá da capacidade de transformar os recursos mobilizados em empresas sustentáveis e competitivas. A seleção da Monashees representa uma etapa relevante, mas ainda haverá diligência, captação de investidores e escolha das startups que efetivamente receberão capital. Se o fundo alcançar os R$ 500 milhões previstos e conseguir direcionar recursos para negócios nos quais IA seja realmente uma tecnologia central, poderá se tornar um dos instrumentos mais importantes de capital para startups brasileiras especializadas em inteligência artificial.
O avanço do fundo mostra uma mudança importante na estratégia de desenvolvimento tecnológico: além de financiar pesquisa ou incentivar empresas a utilizar IA, a proposta busca criar condições para que companhias brasileiras desenvolvam e comercializem suas próprias soluções. O impacto real será medido nos próximos anos pela quantidade de startups financiadas, pelo crescimento dessas empresas e pela capacidade de transformar investimento em tecnologia criada no Brasil e vendida também para outros mercados.
Fontes:
Finep — Monashees é selecionada para gestão do fundo de IA de até R$ 500 milhões
Finep — edital do Fundo de Investimento em Participações de Inteligência Artificial