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sábado, fevereiro 24, 2024

Emergência global: importantes revistas científicas fazem um apelo urgente pela saúde planetária

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“Atualmente, o mundo está respondendo à crise climática e à crise da natureza como se fossem desafios separados. Este é um erro perigoso”. É assim que começa o editorial publicado simultaneamente por mais de 200 revistas da área de saúde em outubro desse ano.

O British Medical Journal (BMJ), o Journal of Internal Medicine (JIM), o The Lancet, entre outros, estão entre a longa lista de publicações científicas relacionadas com questões de saúde que desafiam os líderes políticos e profissionais de saúde a compreender que a mudança climática e a perda de biodiversidade não são desafios independentes, mas uma crise unificada que deve ser abordada em conjunto para preservar a saúde e evitar uma catástrofe iminente.

“Só considerando o clima e a biodiversidade como partes do mesmo problema complexo… poderão ser desenvolvidas soluções que evitem a má adaptação e maximizem os resultados benéficos”, destaca o editorial.
Com a 28ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP28) sobre mudanças climáticas, em Dubai, e a 16ª sobre a biodiversidade na Turquia em 2024 cada vez mais próximas, especialistas de todo o mundo fazem um forte apelo para reconhecer que estas crises estão interligadas.

Como essas crises afetam a saúde e o bem-estar?
Há muitas evidências e elas têm sido publicadas continuamente, não apenas em revistas científicas especializadas. A poluição, a seca ou o desmatamento e os seus efeitos na saúde humana e animal são, neste momento, uma ocorrência diária nos meios de comunicação social.

E o que uma coisa tem a ver com outra? Tudo! Isto é fortemente enfatizado pelos que assinam e publicam o editorial:

“A crise climática e a crise da natureza terão efeitos importantes na saúde devido à perturbação dos sistemas sociais e econômicos, levando à escassez de terra, abrigo, alimentos e água, exacerbando a pobreza e desencadeando migrações em massa e conflitos”.

E caso ainda não esteja claro, citamos alguns exemplos:

A poluição da água prejudicou a sua qualidade, causando um aumento de doenças transmitidas pela água.
A poluição da água em terra pode ter efeitos de longo alcance em ecossistemas distantes quando a água flui para o oceano.
As mudanças no uso do solo forçaram dezenas de milhares de espécies a ter um contato mais próximo, aumentando as trocas entre agentes patogênicos e surgimento de novas doenças e pandemias.
A perda de biodiversidade ameaça a alimentação global. Cerca de um quinto da população mundial depende de espécies selvagens para alimentação e subsistência.
Tendo em conta estes aspectos, os especialistas enfatizam que “a saúde humana é diretamente prejudicada tanto pela crise climática como pela crise da natureza, e as comunidades mais pobres e vulneráveis tendem a suportar o fardo mais pesado”.

Uma crise sem fronteiras para a saúde global
Embora a Conferência das Partes de 2022 (COP22) tenha alcançado alguns acordos relevantes, como a gestão eficaz de pelo menos 30% das terras, zonas costeiras e oceanos do mundo até 2030, a crítica dos signatários deste editorial é que “deve ser promovida uma melhor integração dos planos climáticos nacionais com os seus equivalentes em biodiversidade”.

Salientam também que “os profissionais de saúde devem ser defensores poderosos tanto da restauração da biodiversidade como da luta contra as mudanças climáticas em prol da saúde”.
O editorial faz uma forte crítica aos líderes políticos:

“Devem reconhecer tanto as graves ameaças à saúde decorrentes da crise planetária como os benefícios para a saúde que podem surgir da abordagem da crise, mas primeiro, temos de reconhecer esta crise pelo que ela é: uma emergência de saúde global”.

Por outro lado, o editorial menciona os três critérios da Organização Mundial da Saúde para declarar esta situação como emergência de saúde pública de interesse internacional, ou seja:

que seja repentina, incomum ou inesperada
que tenha implicações para a saúde pública para além das fronteiras nacionais do estado afetado;
que possa exigir uma ação internacional imediata.
E segundo sua perspectiva, “as mudanças climáticas parecem satisfazer todas essas condições”.

Por isto, concluem afirmando que “apelamos à OMS para que faça esta declaração antes ou durante a 77ª Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2024”.

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